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O ÚLTIMO CAPÍTULO DE ELI TOMAC: RELEMBRE A TRAJETÓRIA DE UMA LENDA

  • Foto do escritor: Roots MX
    Roots MX
  • há 14 horas
  • 6 min de leitura

Um dos maiores nomes da história do motocross americano encerrará sua carreira ao final da temporada 2026. Dos primeiros metros como profissional à era “Beast Mode”, relembramos a trajetória de Eli Tomac.


Chega uma hora em que até os nomes que parecem permanentes no gate precisam sair dele. Eli Tomac anunciou que encerrará sua carreira profissional ao término da pós-temporada do SuperMotocross de 2026, colocando ponto-final em uma trajetória que atravessou 17 temporadas e o colocou definitivamente entre os maiores pilotos da história do motocross e supercross americano.


Aos 33 anos, Tomac está encerrando uma carreira que começou quebrando um recorde e termina cercada por eles.


INICIOU COM VITÓRIA


Eli Tomac venceu em sua estreia - Imagem: Racer X
Eli Tomac venceu em sua estreia - Imagem: Racer X

Talvez nenhuma estatística explique tão bem Eli Tomac quanto a primeira. Em 22 de maio de 2010, um garoto do Colorado alinhou sua GEICO Honda CRF250R em Hangtown para disputar a primeira prova profissional da carreira. Tomac terminou a primeira bateria em terceiro e venceu a segunda. Com o resultado 3-1, ganhou a etapa. Eli Tomac venceu simplesmente sua estreia como piloto profissional. Foi o primeiro piloto da história do AMA Pro Motocross a conseguir o feito, e até hoje, ninguém repetiu. Era uma introdução bastante apropriada para o que viria depois.


O SOBRENOME TOMAC JÁ ERA CONHECIDO

John Tomac na Mountain Bike Action Magazine
John Tomac na Mountain Bike Action Magazine

Antes de Eli transformar o sobrenome em referência no motocross, John Tomac já havia feito isso sobre duas rodas. Seu pai é uma lenda do ciclismo americano e um dos grandes nomes da história do mountain bike. John competiu em BMX, ciclismo de estrada, cross-country e downhill, conquistou títulos nacionais e mundiais e está no Mountain Bike Hall of Fame. E foi também uma figura fundamental na formação do filho. Eli cresceu em Cortez, no Colorado, dentro de uma família que entendia competição muito antes de ele chegar ao gate de uma prova profissional. John acompanhou de perto sua formação, treinamento e carreira. Talvez ajude a explicar uma característica que acompanhou Tomac durante todos esses anos: uma capacidade física quase absurda de continuar rápido quando boa parte dos adversários já começava a perder rendimento.


HONDA: ONDE TUDO COMEÇOU

Eli Tomac com a Geico Honda - Imagem: Racer X
Eli Tomac com a Geico Honda - Imagem: Racer X

Tomac iniciou sua carreira profissional pela GEICO Honda, permanecendo ligado à marca até 2015.

Foi ali que conquistou seus primeiros grandes títulos.

Em 2012, venceu o AMA Supercross 250SX West. Um ano depois, conquistou o AMA Pro Motocross 250, antes de fazer definitivamente a transição para a categoria 450. Em 2014 veio sua primeira vitória geral no Pro Motocross 450, em Spring Creek.

Em 2015, começamos a conhecer uma versão diferente de Tomac. Foi naquele período que apareceram algumas das performances mais violentamente dominantes de sua carreira. Em Hangtown, por exemplo, venceu a segunda bateria da 450 com mais de 90 segundos de vantagem.

Cinco vitórias nas cinco primeiras baterias daquela temporada outdoor davam a impressão de que o campeonato poderia ser um massacre. Uma lesão no ombro encerrou aquela campanha.

Mas o recado já estava dado.


KAWASAKI E O NASCIMENTO DO “BEAST MODE”


Eli Tomac em entrevista já com a Monster Energy Kawasaki - Imagem: Motocross Action Magazine
Eli Tomac em entrevista já com a Monster Energy Kawasaki - Imagem: Motocross Action Magazine

Em 2016, Tomac iniciou uma nova fase com a Monster Energy Kawasaki. E foi de verde que construiu grande parte de seu legado. Entre 2017 e 2019, conquistou três títulos consecutivos do AMA Pro Motocross 450, estabelecendo-se como a grande referência americana no motocross naquele período. No Supercross, porém, o título parecia insistir em escapar. Tomac tinha velocidade para vencer qualquer um. Tinha noites em que parecia disputar outra categoria. Mas quedas, erros e corridas ruins apareciam justamente quando o campeonato parecia estar em suas mãos. Até 2020.

Depois de anos perseguindo o troféu, Eli finalmente conquistou seu primeiro AMA Supercross 450SX, encerrando uma das maiores pendências de sua carreira. Ao deixar a Kawasaki no fim de 2021, já não havia discussão sobre seu lugar entre os grandes de sua geração. Ainda assim, faltava um capítulo.

Talvez o melhor deles.


YAMAHA E O ANO PERFEITO


Eleito o piloto do ano em 2022 - Reprodução: Cycle News
Eleito o piloto do ano em 2022 - Reprodução: Cycle News

Aos 29 anos e depois de seis temporadas na Kawasaki, Tomac tomou uma decisão que parecia arriscada: mudou para a Monster Energy Star Racing Yamaha em 2022. Funcionou imediatamente.

Na primeira temporada de azul, conquistou o AMA Supercross 450SX. Depois foi para o Pro Motocross e protagonizou uma disputa memorável contra Chase Sexton. No final, venceu novamente e conquistou seu quarto título da 450MX. Supercross e Motocross no mesmo ano. Mas 2022 ainda não havia terminado. Tomac foi capitão dos Estados Unidos no Motocross das Nações em RedBud e ajudou o país a encerrar um jejum de 11 anos sem vencer a competição.

Campeão do Supercross.

Campeão do Motocross.

Campeão do MXoN com os Estados Unidos.

Tudo na mesma temporada.

Foi provavelmente o auge absoluto de uma carreira que, naquele momento, já tinha mais de uma década.


QUANDO A CARREIRA DEVERIA DIMINUIR, ELE CONTINUOU GANHANDO

Existe um detalhe importante quando falamos sobre o legado de Eli Tomac: longevidade.

Seu primeiro título profissional veio em 2012. Seu primeiro título da categoria principal no motocross veio em 2017. Mais de uma década depois de sua estreia, continuava disputando campeonatos e vencendo corridas contra uma geração inteira que cresceu assistindo a ele. Em 2024, acrescentou ainda o título mundial da SX1 no FIM World Supercross Championship.


DAYTONA


Tomac durante comemoração em Daytona - imagem: Align Media
Tomac durante comemoração em Daytona - imagem: Align Media

Tomac transformou uma das provas mais tradicionais do Supercross praticamente em território particular. Com a vitória de 2026, chegou a oito triunfos no Daytona Supercross, recorde absoluto da prova: 2016, 2017, 2019, 2020, 2021, 2022, 2023 e 2026. É difícil encontrar outro exemplo que represente melhor sua longevidade.

Dez anos separam sua primeira e sua oitava vitória em Daytona.


A ÚLTIMA EQUIPE


Tomac anunciado pela Red Bull Factory KTM em 2026
Tomac anunciado pela Red Bull Factory KTM em 2026

Depois de quatro temporadas defendendo a Yamaha, Tomac fez mais uma mudança inesperada para 2026. Aos 33 anos, assinou com a Red Bull KTM Factory Racing. E não foi para cumprir tabela.

Tomac venceu quatro Main Events do AMA Supercross 450SX em sua temporada com a KTM, provando mais uma vez uma característica que acompanhou toda sua carreira: a capacidade de trocar de equipamento, adaptar-se e continuar vencendo.

Honda.

Kawasaki.

Yamaha.

KTM.

Quatro capítulos diferentes de uma mesma carreira.


OS NÚMEROS DE UMA LENDA

Quando encerrar definitivamente sua carreira, Tomac deixará números que ajudam a dimensionar o tamanho de sua passagem pelo esporte.

São 57 vitórias na categoria 450SX do AMA Supercross, segunda maior marca da história.

No Pro Motocross, são 32 vitórias gerais na 450MX, além dos quatro títulos da categoria.

Seu currículo ainda reúne:

  • 2 títulos do AMA Supercross 450SX — 2020 e 2022;

  • 4 títulos do AMA Pro Motocross 450MX — 2017, 2018, 2019 e 2022;

  • 1 título do AMA Supercross 250SX West — 2012;

  • 1 título do AMA Pro Motocross 250MX — 2013;

  • 1 título mundial do World Supercross SX1 — 2024;

  • 8 vitórias no Daytona Supercross — recorde histórico;

  • Vitória com o Team USA no Motocross das Nações de 2022.


E os números ainda podem mudar.

Tomac ainda não terminou de correr.


MAIS DE UMA DÉCADA NO TOPO

É relativamente comum encontrar pilotos extremamente rápidos por duas ou três temporadas.

Muito mais difícil é permanecer relevante durante uma geração inteira. Tomac chegou ao profissional em 2010. Venceu naquele primeiro dia. Passou pelos títulos da 250, tornou-se campeão da 450, sobreviveu a lesões graves, perdeu campeonatos, ganhou outros, mudou de equipes, enfrentou diferentes gerações e continuou vencendo até 2026.

Durante esse período, viu adversários surgirem, dominarem e se aposentarem.

Ele continuou ali.

Talvez esse seja seu maior recorde não oficial.


O LEGADO DE ELI TOMAC



Existem pilotos que ficam marcados pelos números. Outros, pela maneira como pilotavam.

Tomac terá os dois. Quem acompanhou sua carreira provavelmente não precisará consultar uma tabela para lembrar do que era o chamado “Beast Mode”.

Era aquela versão de Eli que, em determinadas tardes, simplesmente começava a virar tempos que ninguém mais conseguia acompanhar. Muitas vezes não precisava largar na frente. Bastava vê-lo aparecer no fundo da imagem, aproximando-se volta após volta, para entender o que estava acontecendo.

Era uma sensação estranha de inevitabilidade.

E talvez seja exatamente por isso que sua aposentadoria tenha tanto peso.

Durante mais de uma década, independentemente de quem estivesse dominando o campeonato, existia uma regra silenciosa no motocross americano:

se Eli Tomac estivesse saudável e encaixasse aquele ritmo, ainda havia corrida.

Agora há uma data para isso acabar. A carreira começou em Hangtown, em 2010, com um garoto vencendo uma corrida profissional na primeira tentativa. Dezessete temporadas depois, termina com o mesmo piloto ocupando a segunda posição entre os maiores vencedores da história do Supercross, quatro títulos outdoor da categoria principal e um sobrenome definitivamente gravado na história do esporte. Eli Tomac ainda tem algumas largadas pela frente em 2026.


 
 
 

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