O que esperar da 2ª etapa do AMA Supercross em San Diego | Análise e Opinião
- Victor Mantovani

- 16 de jan.
- 3 min de leitura

Se a primeira etapa do AMA Supercross serve pra alguma coisa, além de causar surtos coletivos nas redes sociais e análises precipitadas (culpado aqui), é pra lembrar uma verdade universal do esporte: ninguém ganha o campeonato já em Anaheim, mas sim, muitos pilotos conseguem se perder ali. E a história continua no dia 17, quando a segunda etapa do AMA Supercross acontece em San Diego, Califórnia, chegando com aquele cheiro de ajustes, ego ferido e decisões importantes sendo tomadas dentro do capacete e fora dele. Vamos aos personagens desse belo teatro, ou melhor, cinema chamado Supercross.
Chase Sexton
Sexton foi um fenômeno na heat. Na main event, parecia um TCC mal apresentado: começou bem, mas desandou. Existe um assunto pouco falado no motocross chamado pressão psicológica. Não tem mapa de injeção, suspensão ou treino que resolva quando a cabeça resolve puxar o freio de mão. Anaheim, sendo Anaheim, cobrou caro. Errar a pista, sair dela, repetir o erro… clássico Sexton sob estresse. Pra segunda etapa, aposto num Sexton mais centrado, menos afobado, com cara de quem quer pódio, não provar nada pra ninguém. E justamente por isso… vence.
Eli Tomac
O velho tubarão ainda tá com fome. E quando Tomac fala que “reencontrou algo” numa moto, eu presto atenção. Segundo ele, a KTM devolveu sensações que ele tinha perdido ao longo dos anos. A pergunta que fica é: veremos um Tomac mais violento do que o da Yamaha? Eu acho que sim. E isso é um baita problema pra concorrência. Tomac confortável é Tomac perigoso. Tomac motivado é aquele cara que você olha no gate e pensa: “putz”.
Haiden Deegan
Deegan é superior na categoria. Não é opinião, é constatação. E não, isso nem deveria ser debate. Anaheim foi quase um teste psicológico pra ele. A colocação não foi o que ele queria, mas também não pareceu tirar seu sono. Levi Kitchen? Tá na cabeça dele, claro. Mas não como um furacão, mais como um boleto pra pagar. Algo que Deegan sabe que precisa resolver... e vai. Sem drama. Pode anotar.
Jorge Prado
Determinado a calar muitas bocas. Inclusive a minha. Fui precipitado ao duvidar de um quatro vezes campeão mundial. Acho que você também foi, não se faça.
Dizer que é difícil ele melhorar o terceiro lugar soa lógico… mas soa também como eu duvidando de novo, o que já provou não ser uma boa ideia. No motocross, acredito que agora sim veremos o verdadeiro Jorge Prado. No supercross, acabou a lua de mel. Não vão mais pegar leve com o espanhol. Vamos ver como ele reage quando o carinho acaba.
Malcolm Stewart e Justin Barcia
Malcolm está liberado pra correr em San Diego, e isso é excelente notícia. Pilota demais. Falta constância? Falta. Mas talento sobra. Depois do susto, ver Justin Barcia inteiro, dentro do possível, é um alívio. Acredito que ele viria com mais vontade nessa temporada, mas ainda tenho dúvidas sobre até onde vai esse gás. Deve correr algumas etapas, sim. Resta saber se o Barcia “vamos pra guerra” aparece ou se fica só o “vamos ver”.
Hunter Lawrence
Temos aqui o Kevin Windham dos anos 20. Um piloto absurdamente talentoso, estiloso, completo… e quase sempre na sombra de alguém. Acho difícil Hunter entrar de vez na disputa pelo título, mas vencendo etapas? Com certeza. É aquele cara que ninguém descarta, mas todo mundo esquece. Até ele ganhar.
Cooper Webb
Quietinho. Sempre ele. Lá por quinto, sexto… fingindo que não é com ele. Comendo pelas beiradas, deixando os outros se matarem. E quando você percebe… adivinha quem é o campeão da temporada? Pois é. Já vimos esse filme algumas vezes. E ele sempre termina do mesmo jeito.
Ken Roczen
Cara… como eu amo o Roczen versão Suzuki. Um Roczen rápido, técnico, que erra pouco. O problema é que quando erra, o erro custa caro. Talvez por isso o título de Supercross nunca veio. Mas depois de tantos anos, minha aposta ousada é: Ken Roczen campeão em 2026. Ele parece ter atingido aquele ponto raro de maturidade + velocidade + paz interior. Quando isso acontece, meu amigo… sai da frente.
A segunda etapa promete menos improviso e mais intenção. Menos “vamos ver no que dá” e mais “agora é sério”. E no Supercross, quando fica sério, geralmente fica bom pra gente assistir, e ruim pra quem não acertou a mão logo no começo.















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